|

 | IMPLANTE COCLEAR EM CRIANÇAS - Algumas considerações |
|
A Reabilitação Auditiva
em crianças portadoras de deficiência de audição é realizada na Clínica
GRAU há mais de 35 anos. Como o próprio nome diz, o enfoque do trabalho é
na estimulação da audição para se alcançar a aquisição e o desenvolvimento
da linguagem oral e da fala.
Os procedimentos
realizados na clínica são: avaliação audiológica, seleção, adaptação e
acompanhamento do uso de aparelhos auditivos, avaliação e terapia
fonoaudiológica.
Em todos estes anos, a
preocupação em se oferecer o melhor em termos de qualidade de som às
crianças com deficiência auditiva, levou os especialistas dos centros de
pesquisas a desenvolver aparelhos auditivos cada vez melhores.
Com o uso destes
aparelhos auditivos, atualmente digitais, que amplificam os sons
ambientais e de fala, os bebês e as crianças passam a ter uma audição
residual amplificada, podendo aprender a ouvir e falar com a devida
estimulação.
Há já alguns anos,
estas crianças começaram a se beneficiar também do Implante Coclear que
tem um funcionamento completamente diferente dos aparelhos
auditivos, mas que tem o mesmo objetivo de oferecer o melhor em termos de
audição. Desde as primeiras cirurgias de implante até os dias de hoje,
ocorreram muitas evoluções nas técnicas cirúrgicas e nos dispositivos
eletrônicos usados. Além deste fatores, os bons resultados observados
também colaboraram para que ela fosse indicada até para crianças bem
pequenas de 1 ano de idade.
As fonoaudiólogas da
Clínica GRAU, que acompanham dezenas de crianças deficientes auditivas,
estão sempre atentas ao fato de que uma ou outra pode ser candidata a se
submeter ao implante. Se isto acontece, esta criança é encaminhada a um
dos centros que realiza a cirurgia para que sejam feitos os testes
pertinentes. A nossa colaboração está na realização da avaliação de
linguagem e audição, do uso efetivo da audição residual amplificada, do
interesse pela comunicação e do esforço despendido pela criança com perda
de audição, o que auxilia muito no processo de decisão sobre se a
criança se beneficiará ou não do implante.
Quando se chega à
conclusão de que a criança é candidata ao implante, é importante que a
cirurgia seja feita o mais rápido possível, assim como acontece com a
adaptação dos aparelhos auditivos. O quanto antes esta criança receber
estimulação adequada melhor será o seu aproveitamento da audição residual
e o seu desenvolvimento da linguagem e da fala. Se ele é realizado, nós
trabalhamos na reabilitação auditiva e na estimulação da linguagem e da
fala.
O Implante Coclear é um
dispositivo implantado diretamente na cóclea, que é o órgão da audição, e
que na presença de um som, estimula eletricamente as terminações nervosas
do nervo auditivo que se inserem nas paredes da cóclea. Ele tem dois
componentes: o Interno (fio de eletrodos e receptor-estimulador) e o
Externo (processador de fala, microfone, antena e cabos).
O fio de eletrodos que
faz parte do Componente Interno é colocado na cóclea durante uma cirurgia,
que dura em torno de 3 horas. A sua ponta, que tem o receptor-estimulador,
fica sob a pele na região do osso temporal da cabeça, local em que é
feita a incisão na cirurgia.
O Componente Externo é
adaptado de 1 mês a 1 mês e meio depois da cirurgia, quando então o
implante é acionado. Uma parte do Componente Externo se chama Processador
de Fala, ele pode ficar inserido em uma caixa como a de um aparelho
auditivo do tipo retro-auricular ou ficar inserido em uma caixa do
tamanho de um celular preso por um cinto na cintura, no peito ou nas
costas da criança. Os profissionais da equipe responsável pelo implante é
que determinam junto com a família qual dos dois tipos de Processador de
Fala é o mais indicado para cada um.
Outra parte do
Componente Externo é o Microfone, que capta os sons. O Microfone fica
acoplado ao Processador de Fala se este for do tipo caixa de aparelho
retro, ou fica acoplado a uma caixa de aparelho retro atrás da orelha da
criança e este por sua vez se conecta através de um cabo ao Processador de
Fala que está na cintura da criança. Há também externamente uma Antena que
se prende através de um ímã ao receptor-estimulador que está sob a pele na
região do osso temporal. |
| |
|
A
Figura 1 mostra todos os componente do Implante já adaptado ao paciente.
A Figura 2 mostra como é o componente externo cujo processador de fala é
do tipo retro-auricular.
A Figura 3 mostra como é o componente externo cujo processador de fala é
do tipo caixa. |

|
| |
Figura 1
|
|

|

|
|
Figura 2 |
Figura 3 |
| |
|
Quando o implante é
acionado, faz-se o mapeamento dos eletrodos que estimularão as fibras do
nervo auditivo dentro da cóclea, a partir deste momento a criança já passa
a escutar e faz-se necessária a terapia fonoaudiológica com ênfase no
desenvolvimento das habilidades auditivas, da linguagem oral e da fala. O
fato da criança já ter sido usuária de aparelhos auditivos garante que a
estimulação das fibras do nervo auditivo tenham ocorrido e não tenha
havido atrofia das mesmas, assim como garante que as regiões do cérebro
responsáveis pelo processamento dos sinais auditivos tenham sido
estimuladas. Mas com o uso do implante ela terá que reaprender a ouvir já
que os estímulos oriundos do aparelho são diferentes dos oriundos do
implante, por isso a importância da terapia fonoaudiológica.
Os mapeamentos
acontecem nos acompanhamentos que são repetidos regularmente (a cada mês,
a cada três meses) até que se chegue a um mapeamento mais definitivo para
a criança e seu limiar, o que se dá ao redor de um ano de uso. A troca de
informações entre os fonoaudiólogos responsáveis pelos mapeamentos e os
fonoaudiólogos terapeutas das crianças é imprescindível, já que muitos dos
ajustes nos mapeamentos podem ser feitos com base nas observações que são
feitas durante as sessões de terapia . |
No
Brasil, existem 11 centros que realizam esta cirurgia.
| |
|
O Ministério da Saúde
estabeleceu, em 1999, através de uma Portaria, os critérios para indicação
do Implante Coclear em crianças. Os centros devem seguir estes critérios
mas também têm as suas particularidades, por isso é importante
consultá-los para se saber mais detalhes.
Basicamente, são
candidatas crianças com perdas severas (a partir de 1 ano de idade) ou
profundas (a partir de 6 meses de idade) que não têm respostas ou
benefício com aparelhos auditivos. Para estas crianças, o fato de terem
usado os aparelhos lhes dá uma condição propícia a mais para o
aproveitamento do implante, que é o fato de terem tido estimulação das
vias auditivas. São candidatas também as crianças com as condições citadas
acima que tenham uma família envolvida e motivada para o uso do Implante
Coclear e que tenham na cidade em que moram condições adequadas de
reabilitação.
Os objetivos da
definição dos critérios é procurar garantir que o implante seja realizado
na criança que possa obter dele o melhor resultado possível, que valha o
risco da cirurgia e o alto custo da mesma.
Quando estes critérios
são respeitados, quando o procedimento cirúrgico é realizado com sucesso,
quando a criança freqüenta um bom programa de reabilitação auditiva e
quando a família se envolve com todo o processo, são obtidos bons
resultados em termos das respostas auditivas e do desenvolvimento da
comunicação oral das crianças.
Em nossa experiência,
temos observado que as crianças aproveitam muito bem a qualidade do som
que o implante oferece e que desenvolvem mais rapidamente as habilidades
auditivas, necessárias para uma boa aquisição e desenvolvimento da
linguagem oral. Este fator tempo é um grande aliado, já que previnem-se as
conhecidas defasagens em termos de linguagem e, às vezes, até em termos
cognitivos de crianças deficientes auditivas e seus pares ouvintes.
E que continuemos
evoluindo assim!
Outras informações
podem ser obtidas através de nosso e-mail:
fono@clinicagrau.com.br.
Anna Maria A. Roslyng-Jensen
Ana Cláudia P. F. Fragoso
|
Fontes consultadas :
|
 |
ROSLYNG-JENSEN, Anna Maria A. e FRAGOSO,
Ana Cláudia P. F. – Reabilitação da Perda Auditiva na Infância. In:
CAMPOS, Carlos Alberto H. e COSTA, Henrique O. O. (ed.) –
Tratado de Otorrinolaringologia. vol. 2. Sociedade Brasileira de
Otorrinolaringologia – Roca, São Paulo, 2002.
|
|
 |
ROSLYNG-JENSEN, Anna Maria A. –
Importância do diagnóstico precoce na deficiência auditiva. In: LOPES
FILHO, Otacílio (ed.) – Tratado de Fonoaudiologia. 2ª ed.,
Tecmedd, Ribeirão Preto, 2005.
|
|
 |
BEVILACQUA, Maria Cecília e MORET,
Adriane L. M. – Reabilitação e implante coclear. In: LOPES FILHO,
Otacílio (ed.) – Tratado de Fonoaudiologia – 2ª ed. Tecmedd,
Ribeirão Preto, 2005.
|
|
 |
Anotações da palestra “Estado atual dos
critérios de seleção dos candidatos ao Implante Coclear e avaliação
pré-cirúrgica”, ministrada pela Dra. Regina C. B. Amantini durante
o Curso: “Encontro de Reabilitadores em Implante Coclear”, organizado
pelo Instituto de Comunicação e Audição, nos dias 6, 7 e 8 de Julho de
2006, em São Paulo/SP.
|
|
 |
Folheto informativo e Site da Empresa de
exportação e comércio POLITEC. |
|
 |
A IMPORTÂNCIA DA AUDIÇÃO
Revista ENFOQUE Franca nº 61 - Julho
2006
Testes realizados por profissionais detectam o problema em crianças desde
o nascimento.
(Clique sobre a capa da revista para ler a matéria na
íntegra). |
 |
| |
|
|
 |
A INFLUÊNCIA DAS OTITES NA AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM E DA
FALA
|
|
A audição não é o único, mas é o mais importante dos cinco sentidos para a
aquisição e desenvolvimento da linguagem e da fala. Qualquer fator que
prejudique seu funcionamento pode trazer dificuldades na aprendizagem da
fala de bebês e crianças.
Rolhas de cera no canal auditivo externo, inflamações neste canal (otites
externas), inflamações na orelha média (otites médias) podem determinar as
chamadas perdas condutivas de audição, em que o problema está na condução
do som pelo Sistema Auditivo.
O bebê ou a criança que não ouve bem sempre, principalmente os sons da
fala, isto é, tem uma audição que às vezes é boa, mas temporariamente pode
não ser normal, pode ter um atraso no seu desenvolvimento, ou também pode
falar muito errado quando mais velha.
O problema pode ser percebido pelos pais que ficam em dúvida se o seu bebê
ou a sua criança atende pelo seu próprio nome e/ou se entende o que lhe é
dito. Os pais podem perceber que seu filho está demorando a começar a
falar e também que fala muito errado quando comparado a outras crianças.
Assim como qualquer aspecto do desenvolvimento, há diferenças individuais
no ritmo do desenvolvimento da compreensão e da emissão oral, mas sabe-se
que o bebê de 9-10 meses já é capaz de executar atos motores como resposta
a alguma solicitação do tipo: “Cadê a mamãe?”, “Cadê o carro?”, “Cadê a
luz?”. Com 1 ano a 1 ano e meio, a criança já deve estar entendendo mais a
fala e já deve falar algumas palavras. E, com 2 anos, já é esperado que a
criança fale frases curtas e vá cada vez mais aumentando seu vocabulário e
aprimorando a gramática da língua. A aquisição dos sons da fala dá-se em
uma ordem mais ou menos seqüencial e até os 5 anos todos os sons da fala
já devem estar adquiridos.
A otoscopia realizada na consulta de rotina pelo médico pediatra pode
detectar as rolhas de cera, as otites externas e média aguda; estas
geralmente vêm acompanhadas por sintomas como dor e febre. Este
profissional as trata e a audição da criança tende a voltar a seu normal.
Maiores problemas têm o bebê e a criança que tem estas otites com
freqüência e a sua audição varia entre normal e com graus de perda leve e
moderado. Nestes casos, o tratamento envolve outros cuidados, pois pode
haver a influência de adenóide e/ou amígdalas aumentadas, reflexo
gastro-esofágico e outras.
Há, entretanto, outro tipo de otite que é assintomática, a criança não tem
febre e não tem dor, mas o líquido na sua orelha média atrapalha a
condução do som. A alteração não pode ser vista através da otoscopia. São
as chamadas otites secretoras ou serosas. Muitas vezes são diagnosticadas
quando é solicitada avaliação audiológica completa (que são testes como a
timpanometria, audiometria tonal e vocal) porque a criança está com atraso
de fala ou porque fala com muitas omissões e trocas articulatórias.
Em todos os casos, é imprescindível o acompanhamento pediátrico e
otorrinolaringológico para o diagnóstico e tratamento. E, se a criança
apresenta qualquer alteração na sua comunicação, seja em termos da
compreensão ou da emissão oral, o fonoaudiólogo é o profissional indicado
para avaliá-la e se necessário atendê-la em terapia. É muito importante
também, nestes casos, a forma com que a família se comunica com esta
criança. São necessários alguns cuidados que o fonoaudiólogo é capaz de
orientar.
Mesmo não sendo objetivo deste texto, é importante pelo menos mencionar o
outro tipo de problema que pode afetar a audição de bebês e crianças. São
as chamadas perdas neuro-sensoriais, que têm como origem alguma lesão na
orelha interna, seja na cóclea, seja no nervo auditivo.
As causas destas lesões são muitas e podem ser pré, peri ou pós-natais.
São perdas de audição que também trazem importantes prejuízos para
aquisição e desenvolvimento da linguagem e da fala.
O diagnóstico é feito pelo médico otorrinolaringologista que pode indicar
o uso de aparelhos auditivos ou que se faça a cirurgia de Implante
Coclear. A terapia é de responsabilidade do fonoaudiólogo especialista em
Audiologia Educacional.
Maiores informações sobre este tipo de perda podem ser obtidas na:
Apresentação, em Aparelhos Auditivos, aqui mesmo nesta página ou ainda
através de nosso e-mail:
fono@clinicagrau.com.br.
Anna Maria A.
Roslyng-Jensen
Ana Cláudia P. F. Fragoso
|
Fontes consultadas :
|
 |
Audiologic Guidelines for the Diagnosis and Treatment of Otitis Media
in Children
American Academy of Audiology Position Statement, 1988.
|
|
 |
SAFFER,
Moacyr e PILTCHER, Otávio B. – Otite média secretora.
In: CAMPOS, Carlos
Alberto H. e COSTA, Henrique Olavo O. (ed.)
Tratado de Otorrinolaringologia. Vol. 2 . São Paulo: Roca, 2002.
|
|
 |
ROSLYNG-JENSEN, Anna
Maria A. e FRAGOSO, Ana Cláudia P. F. – Reabilitação da Perda
Auditiva na Infância. In: CAMPOS, Carlos Alberto H. e COSTA, Henrique
Olavo O. (ed.)
Tratado de Otorrinolaringologia. Vol. 2 . São Paulo: Roca, 2002. |
|
| |
 |
TESTE SIMPLES DETECTA SURDEZ INFANTIL
|
Jornal DIÁRIO DO COMÉRCIO - Ano 83 -
Nº 22.446
São Paulo, 24 a 26 de agosto de 2007.
A perda auditiva infantil pode ter várias causas, que vão de problemas
genéticos a uso de drogas pela mãe. O teste da orelhinha pode detectar o
problema no início.
(Clique sobre o logotipo do jornal para ler a matéria na
íntegra). |
 |
| |
|
|